Trilhos interpretativos

Mariola

Andar é uma actividade tão antiga como a existência humana. Hoje em dia quando apenas é necessário caminhar para o normal desenvolvimento das nossas actividades habituais, somos cada vez mais os que voltamos a retomar um contacto estreito com a natureza e com as pessoas que nos escapam pouco a pouco. Uma boa caminhada funciona como um espaço ideal para o convívio e reencontro de amigos.

A vulgar caminhada a que chamamos trekking é o desporto de natureza com maior número de praticantes, talvez porque não haja necessidade de equipamento específico, nem de especial forma física e pode realizar-se em qualquer lugar. Estas características convertem-no numa prática popular, de reduzido impacto sempre que se tem alguma sensibilidade e sentido de responsabilidade.

Fazer um passeio pedestre, de pequena ou grande rota, é perfeitamente compatível com uma série de outras actividades, cuja temática está relacionada com o meio físico que elegemos: a fotografia, o desenho ou pintura, a escrita, a observação de fauna e flora, a cartografia, a investigação de dados históricos, a arqueologia, a etnografia, etc. Desta conjugação resultam os trilhos interpretativos ou temáticos.

Como em tudo, a massificação pode deixar marcas negativas e irreversíveis em zonas mais sensíveis e, sobretudo, em determinadas épocas do ano. A nível do solo produz-se uma compactação do horizonte superior orgânico o que reduz a porosidade e consequentemente a infiltração da água e a fertilidade do solo. Aparecem ainda fenómenos erosivos com a proliferação de caminhos paralelos ao original. Em solos húmidos, prados e lagoas o impacto é ainda maior. Ao nível da vegetação, o trânsito de pessoas esmaga pequenas plantas mais sensíveis e favorece o aparecimento de outras mais resistentes, quase sempre invasoras. Por via da compactação do solo a vegetação passa a dispor de menos água, oxigénio e nutrientes. A nível da fauna, a presença humana faz com que espécies mais sensíveis se mudem de lugar, em busca de novos e estranhos habitats, com reflexo na sua reprodução, fisiologia, hábitos e comportamentos. Outro impacto negativo é o stress causado pelas actividades de observação.

A falta de sensibilidade pode ainda levar ao desrespeito pelos modos de vida das populações, animais e propriedade privada.

Mas sabemos que há medidas correctoras e de prevenção que devemos adoptar:

- Andar sempre por caminhos e carreiros. Os atalhos não só dão trabalho como deterioram o meio;

- Caminhar sem fazer ruído, sem colher plantas ou perseguir animais;

- Respeitar a sinalização dos serviços de protecção da natureza e/ou das comunidades locais, quando existirem;

- Recolher sempre os resíduos produzidos e transportá-los até ao contentor mais próximo;

- Evitar caminhar por zonas de forte inclinação, que são muito mais vulneráveis à erosão;

- Respeitar a propriedade privada, fechando sempre as cancelas que existam no nosso caminho.

Se adoptarmos uma conduta correcta a natureza continuará a mostrar a sua grandiosidade às gerações futuras.

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